sábado, 25 de maio de 2013

A opinião de Pinho Leal


Na entrada "Sinfães" composta por Pinho Leal para o seu dicionário geográfico intitulado "Portugal Antigo e Moderno (ed. 1874), o publicista narra as peripécias por que passou para conseguir obter informação sobre a terra. Tendo enviado inquéritos dirigidos ao presidente da câmara e ao pároco locais, nenhum respondeu ao quesito o que obrigou o autor a deslocar-se a Cinfães para colher in loco algumas informações geográficas e históricas. Em boa hora o fez pois, não obstante o seu tom ácido, é certo que as informações recolhidas em vida por Pinho Leal são mais valiosas e pertinentes que a colecção de boatos e fantasias que bebeu noutros autores. 
De resto, já tivemos oportunidade para o referir em Sinfães, 1900, o facto de ser presidente da Câmara em 1862 (quando Pinho Leal enviou o seu inquérito) Manuel Pinto de Vasconcelos, um aguerrido liberal da Casa da Castanheira em Oliveira, pode ter precipitado o desprezo pelo autor e pelo seu trabalho como historiador. Sobejamente conhecido como apoiante do miguelismo, caiu sempre sobre Pinho Leal a discriminação de vencido vivendo sobre a tutela do regime vencedor.
Por outro lado era, no mesmo ano de 1862, abade de Cinfães o velho e doente José Pires de Carvalho, sacerdote que viria a falecer dois anos depois a 28-7-1864. Naturalmente que o cansaço e o provável desinteresse do eclesiástico perante um interrogatório particular poderá ter ocasionado o silêncio.
Com a deslocação de Pinho Leal a Cinfães ficámos, porém, a conhecer um pouco mais sobre o urbanismo da vila, a localização da primitiva câmara municipal e cadeia (junto ao Minhoso) e o facto de não possuir casa para albergar os magistrados (construção que só seria levada a cabo no final do século).
Neste aspecto, em relação a outros lugares, a vila de Cinfães ficou a ganhar em termos descritivos, mais do que a maioria das povoações cuja história se encontra redigida no Portugal Antigo e Moderno, como um confuso amontoado de notícias infundadas...

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O concelho de Cinfães na sátira literária oitocentista


Criado em 1855, o então novíssimo concelho de Cinfães tornou-se, ao longo da segunda metade do século XIX, num dos alvos da sátira literária que saiu da pena de alguns dos nomes maiores da intelectualidade portuguesa. Destacam-se os nomes de Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós. Qual seria a razão para tão subida honra, mesmo que as parcas referências suscitassem, apenas, o riso entre os leitores?

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Terras e gentes

Marques, Maria Alegria; Resende, Nuno - Terras e gentes: os forais manuelinos do actual concelho de Cinfães. [s.l.]: Câmara Municipal de Cinfães, 2013. ISBN: 978-989-98362-0-4
(...) Os forais manuelinos do actual concelho de Cinfães é o título da mais recente publicação sobre a História deste município. Foi lançado no passado dia 1 de Maio (500 anos após a atribuição do foral de Cinfães por D. Manuel I) depois de uma profícua alocução da sua autora e coordenadora científica. Trata-se de uma obra conjunta da professora doutora Maria Alegria Marques, docente catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e do prof. doutor Nuno Resende, cinfanense, docente convidado na Faculdade de Letras da Univesidade do Porto. O livro faz uma viagem ao tempo da aoutorga dos forais (1513) e ao período anterior (Idade Média), integrando aspectos da vida religiosa, social e económica no território que hoje constitui um só município e então se repartia por 5 concelhos: Cinfães, Ferreiros, Nogueira, Tendais e Sanfins. Obra essencial sobre história económica, do direito e do local, de excelente desenho gráfico e acabamento (a capa imita o envolvimento original em pele do único foral integral preservado), foi editada pela Câmara Municipal de Cinfães que se prepara para colocá-lo à venda.

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