quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

"Diversões carnavalescas em Cinfães" (1945)

Desde o dia de S. Sebastião até terça-feira de Entrudo, os rapazes e raparigas, em todos os domingos, fazem seus bailes, em casa própria ou alugada para êsse fim; e, durante o baile, divertem-se, jogando o Carnaval.
Aqui é costume dizer-se: - «S. Sebastião, laranja na mão» - para significar que neste dia (20 de Janeiro) começam os folguedos do Entrudo, em que, antigamente, predominava a chapauzada de água fria, e o jôgo das laranjas, arremessadas, às vezes, com grande violência, entre os foliões que, em algumas destas pugnas, bem se molestavam, quando pretendiam divertir-se.
As antigas cavalhadas de fantasiados vão sendo substituídas por grupos grotescos de mascarados, a cujos grupos não falta o velho da moca, que é fortemente tosado, na sua descomunal corcunda, pelos seus companheiros de folia, armados de bexigas de porco, com grande algazarra dos circunstantes que assistem à brincadeira.
O velho, empunhando a moca, defende-se como pode: mas não consegue pôr em debandada o grupo dos bexigueiros, que de todo o lado o acometem, com notável destreza.

Manuel de Castro Pinto Bravo

BRAVO, Manuel de Castro Pinto - Diversões carnavalescas em Cinfães. Douro Litoral, n.º 3    (1945), p. 58

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Dicionário Histórico e Biográfico de Cinfães: João Teixeira de Vasconcelos

Despercebido aos olhos de quem visita o cemitério de Cinfães, na sua secção mais antiga, está um vetusto mausoléu com inscrições que o tempo e o desinteresse ocultaram. Trata-se do jazigo de João Teixeira de Vasconcelos e de sua mulher, que a inscrição funerária descreve com as seguintes palavras:
Jazigo de João Teixeira de Vasconcellos professor
escriptor, latinista natural d'esta villa
e de sua mulher D. Ana Rita Emerenci
ana, de S. Romão d Arêgos Rezende
nascidos elle em 10 de Julho de 1804
e fallecido em 1 de fevereiro de 1881
ella em 8 de setembro de 1803
e falecida em 12 de [...] 188[0]?


Quem foi João Teixeira de Vasconcelos?
Como o seu epitáfio refere, foi um professor de latim que exerceu o seu magistério na primeira metade do século XIX. Nasceu em Cinfães (Dom Joaquim de Azevedo di-lo de Fornelos) (1), filho de Francisco José Teixeira, de Eiriz e de Ana da Silva e Vasconcelos, desta freguesia e concelho e aqui faleceu, na companhia do padre João Teixeira de Vasconcelos, seu filho, que era em 1881 abade colado nesta paróquia.
Como refere o seu biógrafo, Joaquim Caetano Pinto, que reclama para Resende a honra de tão ilustre pedagogo, João Teixeira foi humanista insigne e professor publico de Gramática Latina, tendo regido esta cadeira de 1828 a 1833 (2).
Em 1835 exerceu o seu múnus em Resende, tendo alcançado a jubilação em 1858, ano em que foi leccionar a cadeira de latim no Colégio da Formiga, lugar que ocupou durante cerca de um ano. Transitou, depois, para Castelo Branco tendo vivido e ensinado nesta cidade durante um decénio. Em 1869 deixou definitivamente o ensino, regressando a Cinfães. Embora se conheçam algumas traduções publicadas da sua autoria, João Teixeira de Vasconcelos apenas editou uma sebenta de Gramática:

Vasconcelos, João Teixeira de: Curso de Grammatica portugueza e latina, e de latinidade. Porto, Tip.  Commercial, 1837 [2 tomos num volume: o 1.° contém a Grammatica e o 2.ª a Latinidade].
B.N.L.: L. 24.860 P.

Notas:
(1) Cf. Azevedo, Joaquim de - Historia Eclesiastica da cidade e Bispado de Lamego. Porto: [Typographia do Jornal do Porto], 1877, p. 254-255.

(2) João Teixeira de Vasconcelos - em PINTO, Joaquim Caetano - Resende nas letras: autores, obras, antologia. Braga: [edição do autor], 1985.

Speech by ReadSpeaker