domingo, 24 de janeiro de 2010

Dicionário Biográfico de Cinfães: José da Silva Cardoso Pereira e Vasconcelos

José da Silva Cardoso Pereira e Vasconcelos (séc. XVIII, n. Marcelim, Tendais – f. Souto do Rio, Cinfães)
Pescador, comerciante e proprietário
 

José da Silva Cardoso Pereira e Vasconcelos, que terá nascido no final da primeira metade do século XVIII, é um caso de sucesso que contradiz a ideia da sociedade de classes do Antigo Regime, fechada e avessa à mobilidade social. A sua vida diz-nos muito sobre a capacidade empreendedora do homem setecentista e, mais ainda, da tenacidade dos filhos ilegítimos, a quem por lei ou por tradição nem sempre eram dadas as mesmas oportunidades. Encontramos a referência à sua vida no folhetim "Os dois falladores", da autoria do notário A. Cardoso Pinto de Vasconcelos*, publicado no jornal A Justiça:
O Álvaro José Cardoso Pereira de Vasconcelos, que foi capitão de ordenanças [do concelho de Cinfães], casou-se com D. Quitéria Eufrásia Pinto de Vasconcelos; mas deste matrimónio não lhe sobreviveram filhos. Teve, porém, um filho natural de nome José da Silva Cardoso Pereira e Vasconcelos Montenegro, sendo sua mão Maria Rodrigues, solteira, de Marcelim da freguesia de Tendais, filha de Manuel Rodrigues e Natália Rodrigues Ribeiro, do mesmo lugar de Marcelim. Este José da Silva Cardoso Pereira e Vasconcelos Montenegro, filho único, natural e perfilhado pelo pai dito capitão, Álvaro, em vida do pai tomou conta da administração da casa, e pelo seu trabalho de pescador exímio chegando a auferir da pesca 600$000 réis anuais, e de comerciante de frutas de espinho e de madeiras, tornou o cais do Souto do Rio um dos melhores do Rio Douro (1).

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O Românico de Cinfães

O município de Cinfães acaba de aderir à Rota do Românico sendo incluído num interessante projecto de turismo cultural que há cerca de uma década marca a região do Vale do Sousa. Esperamos que, com esta iniciativa, se olhe com mais atenção para o património religioso e que, sobretudo, se invista mais na salvaguarda e no estudo do legado que recebemos dos nossos antepassados. Não basta, contudo, providenciar sinalética que indique a presença de monumentos. É preciso conhecê-los, respeitar a sua funcionalidade religiosa e compreender a sua existência. P.S. E esperamos que os técnicos tenham o bom senso de ultrapassar os anacronismos burocráticos actuais e, ainda que vinculando Cinfães aos Vales do Sousa e Tâmega, respeitem as especificidades do românico duriense. Até porque a arte e a cultura não se formatam segundo grelhas administrativas actuais...
Fotografia: Igreja de Tarouquela (créditos: Hélder Reis (c) Olhares) um belo exemplar da arquitectura românica, profundamente alterado interiormente e prejudicado pelo enquadramento a que foi submetido.

sábado, 9 de janeiro de 2010

O condestabre de Portugal, : D. Nuno alvres Pereira (1627)

Canto XX
[...]
A muytos terras deu, descanso, & vida,
Rendas, estados, bens, terras reparte,
Deixando aos claros netos igual parte.
Tendaes, terra de Payva, & de Lousada
Maritima Loulé sempre importante,
A desejada, & belicosa Almada
Deu á neta isabel ditosa Infante,
Que já com o claro tio desposada
Antecipava as glorias de adiante,
Para encher de venturas toda Espanha,
E de troféus toda a terra estranha.
[...]

Francisco Rodrigues Lobo

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Bibliografia cinfanense #1

As cantas e os cramóis

24,8x18,6 cm
BONITO, Rebelo Bonito e PEREIRA, Vergílio - As "Cantas" e os "Cramóis" do Cancioneiro de Cinfães como formas arcaicas da Etnografia Musical.
Separata do Boletim do Douro-Litoral (n.º 1, III série)

Speech by ReadSpeaker